quinta-feira, 28 de agosto de 2014

A última das raras

Percebe, meu anjo, tuas asas contemplando a natureza,
Dos tucanos às araras, todos alados,
Pintados nas cores da tua liberdade e pureza,
De felicidade e beleza, sua essência formada por um perfil afastado
Das coisas quaisquer, da futilidade cinza de uma cidade alheia.
Ela era livre, pois liberdade coloria o verde da sua aldeia.
Uma índia entre os brancos, com penas de pássaro,
A mulher que resistiu à uma era em que cor era raro,
Mantendo sua diversidade única para gostos e metas,
Um anjo, uma tupinambá camuflada entre os de alma vazia.
Ao contrário dos que escutaram o asfalto, o caminho da rua sombria,
Ela ouviu o som do poeta, que emitia a sua mais íntima poesia.



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